- Qual é a sua visão para o futuro da energia solar fotovoltaica no Brasil e como pretende promover sua expansão?
A ABSOLAR projeta que, em 2024, os novos investimentos gerados pelo setor fotovoltaico poderão ultrapassar a cifra de R$ 38,9 bilhões, incluindo as usinas de grande porte e os pequenos e médio sistemas em telhados, fachadas e terrenos. Com isso, a fonte solar deverá gerar mais de 281,6 mil novos empregos verdes neste ano, espalhados por todas as regiões do Brasil, além de proporcionar uma arrecadação de mais de R$ 11,7 bilhões aos cofres públicos.
No ano de 2024, serão adicionados mais de 9,3 gigawatts (GW) de potência instalada, chegando a um total acumulado de mais de 45,5 GW, o equivalente a mais de três usinas de Itaipu. Dos 45,5 GW acumulados até o final de 2024, 31 GW serão provenientes de pequenos e médios sistemas instalados pelos consumidores nas residências, pequenos negócios, propriedades rurais e prédios públicos, que representarão 68% do total acumulado da fonte, enquanto 14,4 GW estarão em grandes usinas solares, que representarão 32% do total acumulado.
Diante deste cenário de crescimento robusto previsto para o setor solar, a ABSOLAR trabalhará para solucionar os atuais gargalos do setor e proporcionar novas oportunidades de crescimento para o mercado, tanto na tecnologia solar fotovoltaica, quanto em áreas emergentes, como armazenamento de energia elétrica e hidrogênio verde.
Dentre as prioridades da ABSOLAR para 2024, está a busca por soluções aos problemas enfrentados pela geração distribuída solar, incluindo em temas como inversão de fluxo, regulamentação do REIDI e das debentures incentivadas para minigeração distribuída, afastar as ameaças aos modelos de negócio de geração compartilhada e a definição de diretrizes para o cálculo da valoração de custos e benefícios da geração distribuída previstos em Lei nº 14.300/2022. Em relação às grandes usinas solares, a ABSOLAR trabalhará para melhorar as condições de acesso aos sistemas de transmissão, em prol do ressarcimento aos geradores pelos cortes de geração solicitados pelo Operador Nacional do Sistema – ONS (constrained-off) e a manutenção da viabilidade dos modelos de negócios de autoprodução. Em relação aos temas tributários, a ABSOLAR continuará seu trabalho pela defesa dos ex-tarifários de equipamentos fotovoltaicos e pela melhoria de incentivos para o fortalecimento de uma indústria solar competitiva livre de reservas de mercado e sem aumento de custos aos consumidores finais. A ABSOLAR continuará atuando pelo estabelecimento de um marco legal para o hidrogênio renovável, pelo estabelecimento de um marco regulatório para a tecnologia de armazenamento de energia elétrica e pela redução de impostos sobre baterias e sistemas de armazenamento de energia elétrica no Brasil.
- Como pretende colaborar com órgãos governamentais, organizações privadas e outras partes interessadas para promover a adoção da energia solar e superar possíveis desafios regulatórios no país?
A ABSOLAR continuará mantendo frequente interlocução e diálogo com os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nas esferas Federal, Estadual e Municipal, bem como junto a instituições públicas, privadas, setores produtivos, consumidores, organizações da sociedade civil e a imprensa, representando o setor solar fotovoltaico brasileiro e trazendo a visão do setor e do mercado em prol do desenvolvimento sustentável do Brasil.
Estamos convencidos de que as tecnologias solar fotovoltaica, de armazenamento de energia elétrica e de hidrogênio verde são alavancas estratégicas para acelerar a atração de investimentos nacionais e internacionais, a geração de empregos verdes locais e de qualidade, o fortalecimento da arrecadação aos cofres públicos, bem como para auxiliar no cumprimento das metas nacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa.
- Com o governo brasileiro enfatizando a expansão da energia renovável, como você percebe o impacto das políticas e iniciativas atuais no setor de energia solar? Como a ABSOLAR está colaborando com os formuladores de políticas para garantir o alinhamento e o apoio eficazes ao desenvolvimento do setor?
O cenário da fonte solar fotovoltaica para 2024 é bastante promissor, uma vez que o Governo Federal e a sociedade brasileira estão despertando para o imenso potencial que as energias renováveis possuem para o desenvolvimento sustentável e posicionamento do Brasil como uma referência internacional em transição energética. Não por acaso, o Brasil aderiu ao compromisso assumido por mais de 100 países na COP28 de triplicar o uso de energias renováveis e duplicar a eficiência energética até 2030, medidas cruciais para a redução de emissões de gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global e pelas mudanças climáticas.
O Governo Federal brasileiro deu sinais importantes de alinhamento de sua agenda e prioridades à sustentabilidade, com medidas como o estabelecimento de um Plano de Transformação Ecológica, Plano de Transição Energética, Programa de Descarbonização da Amazônia e dando continuidade para políticas públicas essenciais nesta temática, como o Programa Minha Casa Minha Vida, agora com a inclusão de energia solar fotovoltaica nas novas casas populares construídas, e o Programa Luz para Todos, que deverá fazer mais uso de sistemas fotovoltaicos com armazenamento de energia elétrica em baterias. Também houve avanços relevantes no Congresso Nacional e na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), com contribuições nas discussões de diversos marcos importantes para a sociedade e o setor, como a Reforma Tributária, o Marco Legal do Hidrogênio Renovável, o Mercado de Carbono e a discussão para a criação de um marco regulatório para o Armazenamento de Energia Elétrica.
Mais recentemente, o Governo Federal lançou a Nova Indústria Brasil (NIB), que pretende fortalecer a cadeia produtiva nacional por meio do incentivo à instalação de polos fabris de equipamentos fotovoltaicos. Neste sentido, decretos que estabelecem o Novo PADIS e um diferencial de preços para produtos nacionais podem gerar maior demanda aos equipamentos fotovoltaicos fabricados no País, contribuindo para o adensamento produtivo local. A ABSOLAR tem atuado intensamente nestas discussões e, em 2024, já possui extensa agenda para levar adiante as pautas do setor solar nestas e em outras temáticas estratégicas aos agentes e ao mercado.
- De que forma você abordaria as barreiras financeiras à adoção da energia solar e incentivaria os investimentos em projetos de energia solar no Brasil?
Em relação ao financiamento, para fortalecer o desenvolvimento da geração própria solar em telhados, fachadas e terrenos, a ABSOLAR continuará trabalhando pelo aprimoramento das linhas de crédito específicas ao setor, públicas e privadas, com taxas de juros reduzidas, que facilitem ao consumidor pagar o investimento com a economia na conta de luz proporcionada pelo próprio sistema fotovoltaico, aumentando sua atratividade. Buscaremos ampliar o acesso ao crédito para que inclua também as baterias para armazenamento de energia elétrica e posterior uso em horários de necessidade, bem como para trazer mais resiliência e autonomia aos consumidores que invistam na sua geração própria renovável.
Já para as grandes usinas solares, os empreendimentos precisam de robusta estabilidade jurídica e regulatória, previsibilidade de receitas e clareza tributária, para que a atração deste perfil de investimento se concretize. Especificamente na área de financiamentos, a ABSOLAR atuará para melhorar o alinhamento e a flexibilização das programações dos Fundos Constitucionais, para facilitar a aquisição de equipamentos e implementação de empreendimentos fotovoltaicos nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil, onde estão alguns dos melhores potenciais de irradiação solar do País.
- Qual é a sua visão para o futuro da tecnologia solar no Brasil e como a ABSOLAR planeja influenciar e contribuir para o crescimento e a sustentabilidade do setor sob sua liderança?
As projeções internacionais dos principais analistas de mercado para a tecnologia fotovoltaica apontam que a solar será a principal fonte da matriz elétrica brasileira até 2050, talvez mesmo antes disso. Cenário similar deve ser observado em diversos países do mundo, nos quais a fonte solar assumirá papel protagonista e estratégico nas matrizes elétricas locais.
Diante disso, a ABSOLAR seguirá trabalhando, tanto no Brasil, quanto em fóruns internacionais, em parceria com as associações coirmãs de outras nações, para que estas projeções se concretizem e fortaleçam a posição da tecnologia fotovoltaica.
Especificamente, em relação ao Brasil, nosso País possui imenso potencial de se posicionar como protagonista em sustentabilidade e liderança na transição energética global em curso. Neste sentido, a fonte solar fotovoltaica poderá agregar atributos ambientais e ampliar a competitividade dos produtos e serviços brasileiros em um cenário internacional cada vez mais acirrado.
Adicionalmente, a ABSOLAR atuará para acelerar o desenvolvimento de tecnologias sinérgicas à solar fotovoltaica, incluindo armazenamento de energia elétrica, hidrogênio verde, microrredes, minirredes, gestão de demanda, internet da energia, digitalização, eletromobilidade e outras inovações propulsoras de sustentabilidade e capazes de acelerar a adoção de energia solar por pessoas, negócios e governos. Atuaremos na construção de políticas públicas, programas e incentivos, em parceria com governos federal e subnacionais, parlamentares, setores produtivos, instituições privadas e organizações da sociedade civil.
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